HISTÓRIA
Conheça um pouco mais sobre a TV Polo, o Canal da Cidadania.

A cidade

Cubatão é a cidade sede do maior pólo industrial da América Latina, o que lhe dá a condição de ser considerada, também, uma das cidades mais ricas do País. Porém, por trás de tudo isso existe um grande índice de problemas sociais. De uma população estimada em 110 mil habitantes, 55% dela sobrevivem de áreas de invasão, em condições precárias e em conflito com suas raízes culturais, uma vez que a maioria dessa população é oriunda de diversos estados brasileiros.

Na verdade, Cubatão tem muito o que contar, desde a sua fundação como povoado, em 1533, além do qual em 1949, como cidade emancipada politicamente. No decorrer de todos esses anos de emancipação político-administrativa, a comunidade cubatense tem se deparado com a necessidade do direito à informação. Direito este que precisa ser ampliado para que se possa atingir todos as classes sociais da Cidade.

Sonho atrasado

Em Cubatão, como deve acontecer também em outras cidades do País, o Governo Federal dá concessões de radiodifusão a empresas que não têm qualquer vínculo com a cidade. Para suprir a deficiência da informação local, várias rádios chamadas de "comunitárias" foram surgindo na informalidade, o que acontece até os dias de hoje, por falta de decisão política do Governo Federal, que autoriza o funcionamento de várias rádios comerciais em uma única cidade e não dá o mesmo direito às rádios comunitárias, para que possam operar legalmente.

A mesma problemática foi detectada por Francisco Carlos dos Santos, já no primeiro ano de Faculdade de Comunicação, em 1989, quando os veículos, TVs comerciais em especial, não davam e não dão a devida atenção às cidades de sua cobertura, ou seja, estão muito distantes da realidade local e de sua comunidade. Pensando nisso, Francisco convidou o amigo Marcelo André Parreira de Oliveira e juntos começaram a articular idéias sobre a possibilidade de se montar uma TV comunitária em sinal aberto "um projeto de risco". O receio de uma ação judicial e as dificuldades da época atrasaram nossos sonhos por alguns anos.

Início, enfim

Seis anos depois, retomamos nosso projeto a partir do surgimento da Televisão a Cabo, um dos sistemas de transmissão das chamadas TVs por Assinatura, ou TVs Pagas, por Lei 8.977 de 6 de janeiro de 1995, regulamentada pelo Decreto-Lei 2.206 de 14 de abril de 1997, que estabelece a obrigatoriedade das operadoras de TV a Cabo, beneficiárias da concessão de canais para, na sua área de prestação de serviços, disponibilizar seis canais básicos de utilização gratuita, no sentido dos canais de acesso público, como denominados nos Estados Unidos. Pelo Artigo 23 são três canais legislativos (destinados ao Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas/Câmaras de Vereadores). Vários encontros, desencontros e reuniões foram feitos com diversas entidades que não entendiam o que era uma TV Comunitária. Consideravam que era uma ação ilegal, clandestina, e tinham receio de participar.

Contudo, conseguimos juntar alguns clubes de servir e entidades (Ordem dos Advogados do Brasil-Cubatão, Grêmio dos Servidores Municipais de Cubatão, Associação Teatro do Kaos, Associação Cubatense para a Capacitação e Exercício da Cidadania - não mais associados - e ainda Associação Comercial e Industrial de Cubatão e Rotary Club de Cubatão, estes dois associados da emissora) e, em agosto de 2000, depois de toda a documentação registrada no Cartório de Títulos e Documentos, foi fundada a Associação Cubatense dos Produtores de Vídeos Independentes (ACPVI), com o nome fantasia de TV Pólo.

Em julho de 2001, foi dada entrada na documentação junto à operadora de TV a Cabo, na época Canbrás, a qual autorizou a concessão em agosto de 2002, e, exatamente no dia 1º de setembro de 2002, a TV PÓLO entrava no ar, exibindo informações pelo PowerPoint e vídeos institucionais da Cidade em fitas VHS. Iniciamos em Cubatão o processo de descentralização e democratização da informação.

Os encontros e desencontros, reclamações e críticas por parte da população não pararam por aí, uma vez que o público não conseguia ter uma boa recepção do sinal da TV Pólo. É isso mesmo, a operadora autorizou a operacionalização da tv comunitária no canal 96, freqüência de FM que sofre todo tipo de interferência, principalmente das rádios piratas. Com muita insistência conseguimos migrar em março de 2007 para o canal 19 e, um mês depois estávamos operando com excelente nível de imagem no canal 18. Esta fator mudou por completo a imagem do canal comunitário de Cubatão, que passou a ser referência na cidade.

Um ponto importante que merece destaque é o fato de a emissora não possuir um equipamento sequer. O idealizador do projeto (Francisco) emprestou à TV os equipamentos necessários, como vídeos S-VHS, distribuidor de vídeo, monitores de TV, mesa de corte e duas câmeras de vídeo. A TV teve também a colaboração dos empresários Jorge Ayala (que emprestou dois vídeos VHS) e Cesar (da loja C&A, que cedeu um computador com rack), do empresário Tico Barbosa (que possibilitou a locação do imóvel em S.Vicente) e dos voluntários Wanderlei Abrelli, José Pimentel e Adalberto Medeiros, o Bia, que também emprestavam suas câmeras.

Na época, as instituições associadas dispunham mensalmente de R$ 100,00, para as despesas com aluguel, água e energia. Em seguida o valor passou para R$ 120,00. Com 90% de inadimplência, as próprias entidades pediram desligamento da Associação Cubatense dos Produtores de Vídeos Independentes (ACPVI)-TV Pólo. Não fosse a Cia. Siderúrgica Paulista (Cosipa), que mantinha seu programa TV Cosipa no ar pela TV Pólo, o canal Comunitário de Cubatão teria sido extinto então.

Um ano depois, a Cosipa deixou de contribuir com a TV. Mais um momento de insistência por parte dos idealizadores. Por vezes, recursos pessoais entravam na conta da TV para pagamento de despesas de aluguel. A comunidade não sabe: as dificuldades de manter no ar a emissora são enormes. Só superadas pelo desejo de vencer e de ver a cidade mais informada e politizada.

Cidadania

A satisfação de termos a primeira emissora de TV genuinamente cubatense foi motivo de alegria tanto para os assinantes de TV por assinatura, como para a comunidade em geral - que perceberam, na TV, a oportunidade de mostrar Cubatão para os cubatenses. Enfim, a TV Pólo é o canal da cidadania, resgatando história e lembrando culturas dos diversos estados brasileiros; levando informações, música, cultura, esportes, educação, entretenimento, ações de caráter social; enfim, a emissora iniciou na Cidade o processo de mobilização pela democratização da comunicação, abrindo espaço para a diversidade e realidade da comunidade local.

Vale lembrar que, nesse período, a Região Metropolitana da Baixada Santista já era atendida por algumas televisões abertas, como a afiliada da Globo (TV Tribuna), do SBT (TV Brasil), Record (TV Mar) e a Educativa Santa Cecília TV. Outras, como a VTV e Band Litoral, surgiram depois. São emissoras comerciais, com o foco positivo na cidade de Santos e tratamento diferenciado para as cidades circunvizinhas.

De repente, em 2004, fomos surpreendidos com a notícia de que Cubatão teria uma TV Educativa em sinal aberto. Doce ilusão. Trata-se de uma concessão cedida à Fundação Visconde de São Leopoldo, que até então nenhuma autoridade de Cubatão sabe a fundo de sua existência, a quem serve, qual a programação e a que veio, pois também não tem ligação ou vinculo com nossa querida Cubatão.

Desabafos à parte, o que nos dá segurança e mais vontade de trabalhar pela Cidade é o fato de sermos abordados na rua pela comunidade que se vê, nas informações que passamos, pela proximidade dos diversos ideais e pela exibição de programas de interesse público-social. Os elogios, creditamos ao nosso grupo de voluntariado que se desdobra graciosamente para colocar no ar nossa programação, nosso povo e as idéias da comunidade. Os problemas técnicos e as críticas, nós da diretoria - ainda em processo de aprendizagem - vamos solucionando aos poucos, buscando informações com outras TVs comunitárias que também enfrentam problemas, seja de ordem financeira ou técnica.

Por falar em problema técnico, a TV Pólo – Canal Comunitário de Cubatão também sofre com isso, pois a operadora, que hoje é a Net/Vivax, não disponibiliza um cabeçal em Cubatão. Por isso, toda a produção da emissora (TV Pólo) tem de ser levada ao centro de transmissão, que fica na cidade de São Vicente, cerca de 8 quilômetros de distância, o que inviabiliza também a transmissão ao vivo.

O trabalho realizado pela emissora possibilitou que a Câmara Municipal de Cubatão reconhecesse a entidade (ACPVI) como de Utilidade Pública. A propositura foi apresentada em 2004 pelo vereador João Mineiro.

O primeiro estúdio da TV foi na Avenida Nove de Abril, 2.090. O segundo funcionou por cerca de 3 anos, até maio de 2012, na Rua 7 de Setembro, 26, na Vila Nova. Hoje, estamos na Av. 9 de Abril, 3300, também na Vila Nova.

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